A BOCA QUE BEIJA
Sim, eu me desculpo,
o meio, a medida,
assim vou à vida,
não peso avulso.
O incerto, esculpo,
o anjo na pedra...
Das cinzas se medra
o flautim-soluço.
Mas eu não me culpo
o empate no fim
de um jogo ruim.
Se acabo expulso!
A boca que beija
saboreia a cerveja.
Tempo, ritmo,
istmo, estím
ulo in... Co
mer o fim,
repetir e ir,
sorrir, rir,
rir, rir só
riso afim.
Bater assim:
vento, asa,
vela, mala.
- A fala:
preciso flautim
dentro de mim
Somos um encontro
só mais um momento
sabendo que a vida
leva o sentimento
Longe vai o vento
onda em movimento
som, espaço, tempo
chora o instrumento
VENTINHO VERMELHO
Eu sou o vento
que levantou
a saia
do vestido
de Marilyn
Monroe
Ela sorriu
num ‘x’
bem grande
para o f l a s h
bem no ponto
Eu entre as pernas
dela fiquei tonto
Corri para casa
e diante do
espelho eu
era um
ventinho vermelho
DE FATO
Quem me dera, quem me dera...
Não se afaste mais.
Meus lamentos não navegam.
Viver é impreciso.
Já fui boi, já fui barranco.
Hoje não corro de nada,
saio roçando rima.
Eu cismo por estas minas abandonadas.
De cima riem:
pobre coitado vive de cascalhos.
Eu respondo, não fujo dessa briga:
sou poeta e não estou pra prosa,
pra conversa jogada fora.
Não é mesmo boa a hora.

INTOXICADOS E ÁSPEROS
O que é poesia ontem/hoje?
Por que se escreve poesia
aqui e agora? Se alguém
tivesse exatas respostas...
Pode-se dizer que a poesia
está muito mais próxima
do silêncio do que mesmo
das palavras. Onde ela se
inscreve de impressões
e traças, materializa-se
e imprime nossas pequenas
desgraças. O dia nem sempre
é o melhor. Tossimos
intoxicados e ásperos de esperar
que tudo pode ser bom,
pode ser a hora. Estamos
avessos, mas não desistimos
e rimos nossa parte tomada
eu/você, meu terrível leitor,
é sua minha essa dor
mesmo quando não chove.
mares de ilhas e de cores
mares cores
mares cores
mares cores
ilhas








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