quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A BUCETA É O PODER



A BUCETA É O PODER 





1.

Sua leitura é sua pedra.
Quem poderá deter-te montanha de palavras?
Cada um lida com seus cascalhos diários.

Nos seus olhos esse diamante sofrido.
Ainda que verdes os castanhos.

2.

Ainda que rosas houvesse me esperando. Eu queria correr. O campo do alto de um cavalo. As montanhas crescendo debaixo do meu peito respirando incomensuráveis. Eu sem saber do grito. Eu não gritaria mesmo que não soubesse. Ainda que rosas houvesse e eu me repetisse... Meu amor, você se delicia por tão pouco.

3.

Eu quero mais de você. Mais que seu encanto. Suas lágrimas supostas. É pouco. Seu pesar sem respostas. Suas apostas. Sua bosta! Ainda que eu me repetisse como se me soubesse. Vê se esquece o que você sabe: SABER OCUPA ESPAÇO!

4.

As ambulâncias-ambulâncias passam ânsias. Os sons nos espreitam em distâncias


5.

Devemos consolar as mães porque os filhos não foram bons. Não foram muitos muito longe. A maioria a lugar nenhum. Pouco se imagina inutilmente se sair aos berros de uma vagina.

6.

A BUCETA É O PODER! Repetia-se. Mas mulher de verdade tem um pau entre as pernas. Bem duro!

7.

O gato saltou da janela para o telhado
Veio a rima com o inesperado
Um raio-relâmpago trovejante raspou a noite
O gato correu. A noite cresceu escura. Sem lados.

8.

Devemos morrer. Inesperados. Quem quer beber que beba. Que fume! Saia assim ou acolá. Assado é o dia. Amanhã sem depois. Você acorda de quatro no meio de dois.

9.

A Maitê late repetidamente. Os pombos voam e o vôo do pombo é quase sempre em bando. Um barulho revoado de susto.

10.

A bomba-relógio está bem dentro do seu peito. Viver é explodir aos poucos.

11.

Que se dê a gargalhada necessária, o beijo esperado, o amante reconquistado, o vôo atrasado, a menstruação, o filho planejado, desarrumado, arrumado demais. Que seja mais ou menos, não podia ser tudo exato. De fato, não é a mesma hora de nascer o momento em que eu me mato, mas que se dê a gargalhada necessária ou então não faremos mais nada além deste espetáculo onde não sabemos o que fazemos e por isso não fazemos mais nada ainda que alguma coisa precise ser explicada ao pequeno público que desconfortavelmente nos assiste sem a gargalhada necessária


12.

Existe dentro de cada um de nós uma lágrima. Não é doída. É mais que isso. Silenciosa. Que fosse passado. Que nada. É você sempre agora. Sem fala. Esse aqui-ali-agora-sempre assim se instala. O tempo não existe. Tudo é só você e essa lágrima. Chorar não é necessário. A risada sim!


13.

Antes brindaremos dias que seriam felizes senão tivessem escorridos pelos dedos dos nossos melhores companheiros. O silêncio é que explodiu dia-a-dia. Sem que anunciasse. Ali instalado no hiato, na pausa inesperada. Íntimos e reticentes. Foi ontem quando nos entendíamos confidentes. A bomba não fala.

14.


Que onda marítima! Que ode! A voz do mar ressoa Pessoa

15.

E venham outros lírios. Negros-reluzentes! Afro-pássaros capoeirando o ar. Me ginga, meu nego, nos ensine a sambar devagarzinho. Devaneio de risos entrelaça a cara dessa terra que se nega. Só em ti sobreviveremos. Respirar é ritmo!

16.

Me nego a esta palavra amada. Serei anti-voz. Serei meu absoluto devir de dês-dizer.


17.

Meu pai matei. Destronado rei. Minha mãe rainha pondo fogo no colchão nupcial.  Adeus fogão-de-lenha! Ninguém pode com uma mulher.

18.

Não ouvirei mais as palavras de cavalo. O princípio será sempre feminino. Mas o homem fragilizado é quem come o buraco do ser humano. É preciso aprender a cavar mais que amar. Alguém precisa ser forte e enterrar os mortos.

19.

Devo continuar aceitando o desafio de desfiar segundo a segundo o tempo que joga sujo. Todos têm uma carta na manga. E trapaceiam. Que blefe é vencer!


20.


Acima do eterno o efêmero e o externo se tocam numa nitidez se desfazendo ainda mais rapidamente na velocidade depois é sempre tarde o flerte sem jamais ter que se comprometer com você a fila anda! você da varanda sem paisagem

Acima ainda do céu onde nada revela nada e o rio é só o caminho desse vazio de todo ser humano ser sem fundo e bem maior que juntos todos os oceanos nós nos areamos em minúsculos sustos e mesmo depois de seco escorre o córrego dessa viagem

Acima do concreto dos edifícios a fumaça a traça a maresia e a corrosão da janela depois da espera que não vimos chegar quem esperávamos e nós não esperávamos o vizinho exibindo o pau como se não suportasse mais os muros nem a parede

Acima da pele a flor da pele repele uma realidade ventando a ausência do intocável da flor em seus poros em seus olhos e suas desembestadas narinas nada sabendo da beleza de estarmos todos fechados no óbvio que nos impele aos escolhos da nossa sede

Acima da bela a fera se libera em febre numa lucidez que cega os órgãos sensíveis e o que não podemos ver e só sentir-sentir que passa e sem amor não nos perguntamos quando nos reencontramos vamos pois só a paixão nos justifica essa pilha de corpos

Acima das cartas de um velho baralho dentro das gavetas dos armários tem um verso a verso repetindo a inutilidade de sermos vários mais que bárbaros e nós respiramos ácaros de eus-imaginários e bem estúpidos ah! são poucas estas flores para cobrir nossos mortos



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