sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MINHA NEBLINA


MINHA NEBLINA

 

claro-escuro de mim

 derruba esse muro de Berlim

pega essa carona esse trem um avião

voa nesse chão quebra essa onda

AMOR SEM IGUAL




Onda mais bonita, morena

É a desse verde do bambuzal

É verde, morena, é verde

Tombado de amor sem igual

 

Esse verde canta os espraiados

Seus sons mais esverdeados

São tons sobre tons de verdes

Sons de verdes multiplicados

 

Se você deixasse, morena

Eu ventava esse verde só seu

De verde viveria a compor

  QUANDO A NATUREZA DORME




Cor que escurece primeiro é verde

E como são muitos verdes na natureza dos galhos das folhas das árvores todas das matas e ainda outras ramagens de verdes e o capim da relva onde solitário o boi de tristes palavras ainda pasta...

Ai, que às vezes fica tão de noite que até o vento escurece com o verde!
  





sábado, 18 de fevereiro de 2012

É CARNAVAL


É CARNAVAL

 




É carnaval como ontem foi natal

e amanhã na alegria e na tristeza

do tempo atravessarei obscura

quarta-feira de cinzas

 

Não consegui arrancar do meu peito

a fantasia esperada mas minha dor

não proclamada rompe-se em festa

no inquieto dia que se inicia

 

Independe do calendário a realidade

que finjo não compreender e sorrio

novamente porque é carnaval como ontem

foi natal e amanhã cinzas

 

O equilíbrio que oculta a vida dos outros

não permite que se veja a alegria

forjada arrastando os homens por sobre

seus corpos despojados de horizontes

 

O chapéu do Chaplin pendurado na parede

a poesia esquecida sob a poeira da folia

é pouco o que tenho de possível magia

para os três dias de carnaval

 

?Mas o que há de inevitável no tempo

além de um dia depois do outro

o outro que ontem nasceu hoje

se entrega ao carnaval e amanhã!!! 

SAMBA DE GUEIXA

 

Descola uma deixa

Samba de gueixa

Samba e esqueça

Esse grande amor

 

A porta aberta

Liberta o que existe

A vista alisa

Um desejo sem dor

EM TEL AVIV

 

 

 

Eu não sei o que você quer de mim

te dei tudo por distância

amor em segredo

e uma vontade de te olhar nos olhos

 

Te mandei meu carnaval

fiz meu samba virtual

só você não percebeu o duplo sentido

o sentimento mais profundo

 

Desde o dia eu que te vi

numa foto em Tel Aviv

casei meu Dom Quixote

com Madame Bovary

A RODA E O REI

 

 

de repente eu acho tudo

tão forrobodó

meu samba que era bamba

‘véi’ borocoxô

 

doutor, eu tô

com um osso

entalado no pescoço

que faz dó

 

- já disse, moço

aonde você for

toca esse pandeiro

ou pára esse metrô

 

mas tá na cara que

Quem entra nessa trilha

Repete de cor

Pro chefe da quadrilha

 

malandro, eu sei

quem tem olho

nessa roda

será rei 

 

ZÉ, AZAR O SEU

 

 (José Cláudio)


Zé, azar o seu!

quem mandô

zombar dos outros?

zum zum à beça,

zorra indiscreta,

ganzá, zabumba

cisma e zanga

zoam nessa onda...

Pintando ‘zebra’,

zanza nas estrelas,

dançando rumba

 

Zé, azar o seu!

quem não anda

um dia tropeça

na lei da pressa,

no fim da festa,

já na penumbra

trem desanda

made in tv,

seu Brazil com z

não esconde você

nesse rio que afunda

 

- Aí, Zé, cadê

seu ar de banda?

Zaguncharam seu samba

não foi por engano!

E agora, Zé, só no próximo ano


 (George Macário)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

OS HOMENS SE DESPEDEM DO MAR

OS HOMENS SE DESPEDEM DO MAR

Os homens se despendem do mar com suas roupas coloridas. Despedida é mesmo triste, mas sabido é que viver é um trágico aprendizado da morte. Sim, trágico, pois mal aprendemos. Nossos rituais, os mais bonitos ou os mais bárbaros, apenas se despedem da vida com seu anteceder que dói. Cotidiano e humano. Nosso oceano fotografado com nossas crianças felizes. O pedaço negro do filme revela que não somos de verdade. Mentimos nossa descarada felicidade. Interrompemos alguma coisa para dizer que somos sim felizes, que a vida apesar de tudo valeu a pena. Que luz é essa em clarão que explode pra nos justificar ainda mais? A natureza alimenta nossa vaidade. A natureza se vinga. Aqui e ali o seu deserto se alonga além dessa onda em camadas transparecendo e umedecendo a areia da praia. Não sei se esse balão sobe ou se é o cordão umbilical do mundo com seu acorde. De longe e mal focado apenas uma fotografia em que parece que os homens se despedem do mar com suas roupas coloridas.


 ACÁCIAS IMAGINÁRIAS



Eu deveria saber mais sobre flores
que jamais reconheci pelo nome,
embora seja um dos seus cantores.


Eu deveria descortinar o longe
além de recíprocos dissabores.
Triste é outono de quem tão só se esconde.


Sem rumo o homem levanta rumores:
de onde vem, como se veste, o que come...
Quisera eu meus versos soassem tambores!


Sem hora por arrogante não me tome.
Também não me apresentei aos senhores:
fui rei, ladrão, e em tudo sou eu fome.


Ocidental de trocas e favores...
Subi a montanha e o grito não responde.





 VERMELHIDÕES CREPUSCULARES





Eu represento minha poesia
todos os momentos
como quem lava a escadaria de uma Matriz
para quem sabe um dia se confessar


Ah, por estas águas rio...
Sei o viés das máscaras:
chegar, olhar, dizer o que ninguém mais diz
e ainda assim saber que foi amor


Se quiser adivinho seu sorriso
a lágrima que todos temos
a certeza dos sete palmos, o medo de ser feliz


Deixa chegar quem chegar
se pelo mar mais olhos há
vermelhidões crepusculares, a noite por um triz



O TERCEIRO SINAL





Diante dos olhos de Deus as cortinas do tempo se abrem, enquanto negras serpentes
hipnotizam trombetas, que seus anjos
não tocaram para os inocentes.


Torpe espelho! No camarim dos sonhos
enquanto espera o terceiro sinal
a atriz chora, e pronta pra entrar em cena
enfia sem dor no seu ventre um punhal.


No chão do teatro, debaixo de saias,
Marilyn, um travesti barroco,
um deus-menino, tão nu, empinando
palavras-asas de um outro anjo, louco.


Ele se masturba e se desculpa e
dança driblando a contagem do tempo...
Como ousa parecer tão jovem este
com um olho disfarçado de vento?


De certo pensa ele que estará impune.
Mas eis que o mais humano de um desejo
salta entre os dois e então é tensa a luta:
destronados, doentes do mesmo medo.


As bailarinas se beijam no palco
da controvérsia teatral. O oráculo
na lírica luxúria.... Na platéia
homens cegos dormem nesse espetáculo.





(Pinturas de Mark Rothko, 1903 - 1970)






quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

RIO MARÍTIMO

RIO MARÍTIMO



A arte líquida
reflete no vazio
o mar dentro do rio
se espraiando com sono

num ritmo incômodo
o vômito repete
em si mesmado
e sem dono

O primitivo
é o que está vivo
e remanesce marítimo
em remanso abandono

o nascer diário
e o ter sobrevivido
verde e úmido esgoto
de lixo e escombro

O corpo e a sede
lambendo-se desse lodo
engolido por um olho a olho
e se transformando

neste morrer desesperado
por ter sido leito
a leito e o rio-rio
só se é navegando




NO BRAÇO, NO ESCURO...

 



Guarda essa chuva pra depois
não quero um pingo do futuro
se isso me afasta de nós dois

basta agora você no escuro
eu nos seus braços no compasso
eu no seu abraço eu me curo

vento de verde vida e espaço
eu faço promessas, eu juro
me viro inteiro, vou no encalço

eis aqui eu no que sou e desfaço
se antes já foi do não vivido
não chora meu peito adormecido

o ontem é poeira, e amanhã brisa
deixo o tempo que vem perdido
a queda eterna se improvisa

mas se você for não me avisa




ATA E DESATA



A gente ata e desata
depois cascata
cai de recantos
e abre ribanceiras de tantos

no revés dos biombos
eu não me escondo
sou água sou condor
voo com pássaros nos ombros

por espaços deságuo
em terras recantos
de florestas de banjos
revoada de anjos rebanham

essas palavras que me
foi-ce desentender
outras águas quero ser
aos rombos de novo aos  e s c o m b r o s

a gente se farta
dos mesmos vazios
mas ainda rios nós somos
o mar dos nossos navios

são corpos no cio de oceanos
que sonhamos e é nuvem
que não passa você chora
e disfarça você me mata de rir

você não está nem aí
pro nosso fim assim
de desesperos e imprevistos
me distribui nas feiras

do dito pelo não-dito
diz parta e rimos coisa gasta
esta de ser ou não ser a incerteza
de onde vamos a gente cai  l e v a n t a m o s




O CONVALESCENTE



É na sua dor mais profunda
que o homem se aproxima de Deus.
De joelhos o pobre diabo se estuma
sem vestes, sem olhos, sem seus.

O homem muda muito pouco.
Às vezes uma vida inteira
ruminante passeia o mouco
com eira e beira até a caveira.

Ser ou não ser: promessa e jura.
A morte além de um sonho
pede perdão, espera a cura.

O homem alcunha-se atônito!
E a pedra no caminho fura
com seu meio, seu urro e vômito.




FILETE


 


Vazio frio do rio. Frio de dentro
do corpo do rio.  Vazio tanto maior
de noite. Ritmo falso, remanso...
Água corre seu canto

estreito. O peito da gente no rio
sem leito. Rio sem jeito amiu
dando-se. Fio insistindo filete,
nadinha no se deixe.

Peixe na rede do milagre! Banque
teie-se e logo será tarde. Ri por todos
nós a incerteza. Riso que sabe a morte
descortinando a sorte.

Vou sem norte! Quem sabe doce
será o corte? O fio ainda dessas
palavras: as muitas águas
A quem importe!

domingo, 22 de janeiro de 2012

A BOCA QUE BEIJA



A BOCA QUE BEIJA



Sim, eu me desculpo,
o meio, a medida,
assim vou à vida,
não peso avulso.

O incerto, esculpo,
o anjo na pedra...
Das cinzas se medra
o flautim-soluço.

Mas eu não me culpo
o empate no fim
de um jogo ruim.

Se acabo expulso!
A boca que beija
saboreia a cerveja.





TEMPO-RITMO


(Suzana Jardim)

Tempo, ritmo,
istmo, estím
ulo in... Co
mer o fim,

repetir e ir,
sorrir, rir,
rir, rir só
riso afim.

Bater assim:
vento, asa,
vela, mala.

- A fala:
preciso flautim
dentro de mim




O
     N
          D
                      A N D A
          D
    N
O





Somos um encontro
só mais um momento
sabendo que a vida
leva o sentimento

Longe vai o vento
onda em movimento
som, espaço, tempo
chora o instrumento




VENTINHO VERMELHO



Eu sou o vento
que levantou
a saia
do vestido
de Marilyn
Monroe
Ela sorriu
num ‘x’
bem grande
para  o   f l a s h
bem no ponto
Eu entre as pernas
dela fiquei tonto
Corri para casa
e diante do
espelho eu
era um
ventinho vermelho


DE FATO



Quem me dera, quem me dera...
Não se afaste mais.
Meus lamentos não navegam.
Viver é impreciso.

Já fui boi, já fui barranco.
Hoje não corro de nada,
saio roçando rima.
Eu cismo por estas minas abandonadas.

De cima riem:
pobre coitado vive de cascalhos.
Eu respondo, não fujo dessa briga:

sou poeta e não estou pra prosa,
pra conversa jogada fora.
Não é mesmo boa a hora.







 INTOXICADOS E ÁSPEROS






O que é poesia ontem/hoje?
Por que se escreve poesia
aqui e agora? Se alguém
tivesse exatas respostas...
Pode-se dizer que a poesia
está muito mais próxima
do silêncio do que mesmo
das palavras. Onde ela se
inscreve de impressões
e traças, materializa-se
e imprime nossas pequenas
desgraças. O dia nem sempre
é o melhor. Tossimos
intoxicados e ásperos de esperar
que tudo pode ser bom,
pode ser a hora. Estamos
avessos, mas não desistimos
e rimos nossa parte tomada
eu/você, meu terrível leitor,
é sua minha essa dor
mesmo quando não chove.


 mares de ilhas e de cores
 mares                      cores
 mares                      cores
 mares                      cores
ilhas





sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

DE HAVAIANAS E MELANCOLIAS





O sol está lá fora atravessado pelas ruas de havaianas e melancolias. A tarde com certeza também não terá certeza de nada. Mas tem sempre um momento em que todo olhar se perde e somente um raio corta. E os dias passam independentemente do que se quer. Tem que passar por uma ordem maior. No relato rompem-se poucas coisas. Talvez sejamos mais corruptíveis de fato. Por você me meço. E nos valemos de datas pra estipularmos o vil sucesso.





Tenho pensado em viver de solidão e evitar esses comércios megalomaníacos. Compramo-nos, vendemos de tudo um pouco de nós. Arredios. Estamos ofertas pelas cidades. Em preços compatíveis às adversidades e às nossas animosidades. Posso não ter preço se invento. Não sei mesmo vender-me. Maior constrangimento: sou de um orgulho que não permite preço tão pequeno. Rio numa humildade que antes da oferta já fez o sonho de graça. Por isso me respeitem. E que se dane a pirraça.




Ah, porque as maravilhas de soltar o vento depois do zero e ir por estas estradas e outras torrentes tatuando o tempo de tempo em tempo. Eu estou aqui agora e nem sei pensar mais em ninguém. Esqueci de fato. O amor me deu esta história mal contada.
 

Mas que nada, não é pra tanto. Foi só uma visita pra ver se você anda dormindo bem. Não precisa bater a porta com tanta delicadeza. Meu amor, me diga pra quê essa cara de surpresa. Mas então não foi ontem a minha poesia marcando no seu corpo tão duras palavras... Estou nessa rede balançando pra fugir do calor. Você foge de você mesmo e talvez por isso sofra. Pois bem: é bom que sofra. Pra crescer alguma coisa melhor dentro de você. Você empapuçou de tanto e nessa medida sem querer me agiganto. Eu que prefiro o anonimato, posto aqui a minha foto. Você se quiser que vire as costas enquanto eu passo.



Não deveríamos supor muita coisa. Pelo menos não no pessoal. E deixe as previsões meteorológicas, a moça do tempo distribuindo a chuva e o sol. Há muito não ouço na televisão nada mais poético do que ‘ nuvens carregadas’. Sei que não é bom, mas me pego repetindo: nuvens carregadas, nuvens carregadas, nuvens carregadas. Infinitamente. Até embaralhar as palavras nelas mesmas. E rir dessa vidinha muito longe do mais ou menos suposto onde se faz sol ou se chove quase todos os dias.

 

Sonhei alguma coisa melhor esta noite. É bom algo que não nos pertença. Onde nos abandonamos. E podemos. Viver é estar lúcido. Porque se você não pensa, você de fato não existe. Ah, que fria nós entramos. Que no fundo nós vamos é mesmo aloprados. Tenho baixíssima resistência à realidade, sucumbo fácil diante do que se estende. As falas vão ficando alongadas, fazem voltas e se repetem.

            
As pessoas insistem como se viver fosse contar um pouco mais suas histórias. E assim ao entardecer elas tecem a si mesmas. Narrativas, mal observam as formigas subindo pelos cantos e dominando as guloseimas. Na verdade as formigas são grandes companheiras. Aglomerando-se em respingos invisíveis pela casa. Denunciando visitas agalopadas até a geladeira. E como se dissessem ‘doce’: perigo! E depois das peculiaridades, as amistosas afinidades: eu sou viciado em café. Às vezes eu faço e nem tomo. E faço de novo. Fico pensado nas formigas que nem sonham.

 

Agora mergulho virtual faz manchetes, atravesso sem fala. Todos sabem que passei por ali como se vasculhasse, buscasse o que soubesse. Eu não sei muita coisa. Tenho esse temperamento impreciso, oscilo entre graves e agudos. Escrevo por pura canseira de viver. Não vejo em volta. Eu poderia estar numa ilha deserta onde nem eu mesmo fizesse falta.





domingo, 15 de janeiro de 2012

ESSES CARRASCOS SÃO HOMENS TÃO DELICADOS


ESSES CARRASCOS SÃO HOMENS TÃO DELICADOS



Onde você se diz inconfessável foi sempre onde me fascinou! Ultimamente tenho pensado na morte da máquina e na arte. E em como o homem depois de representar a natureza, e a si mesmo, passou a representar a máquina “morta”, superada ou em desuso. Quem nunca arremessou algo que estragou contra o mundo? O homem antes diante das coisas criadas pelo criador, depois como coisa criada, e agora criadora. O homem senhor de um botão como os carrascos desse mundo de miseráveis. Os inconfessáveis! Uns tão delicadamente nos apresentam o brilho da lâmina.



Anteontem revi Estamira. E só hoje pela manhã soube que ela tinha morrido. Tenho essa mulher ao lado de Deleuze dentro de mim. Meu Riobaldo atravessou um deserto no último mês. Sinto um sertão maior! Não! quase nunca tenho certeza do que estou fazendo. A vida é sábia e aprendi a não brigar com os caminhos dela. E a arte! Ela é a esquina do erro.


“- Perdão senhor! Eu o machuquei? Esses carrascos são homens tão delicados!” escreveu Victor Hugo. Tenho muito medo dessa relação Rodin x Camille. Particularmente não gosto de intelectuais somente porque são intelectuais. Aceito os que se despem dos tais. Viver sem rede no pensamento é terrível. Voltando aos amantes franceses, alguém analisou a obra de Rodin como um homem que caiu, e as da Camille estão em suspenso terrivelmente, eternamente caindo. 


 

Minha poesia o que penso ou deliro tudo todas as formas, mas o que eu amo mesmo é viver simplesmente e buscar sempre uma língua que possa ser universal. Falo das relações diárias, dos afetos. Conhecimento é só o necessário do uso ou do prazer.




Às vezes perdemos ou deixamos e nos libertamos. Henry Miller, um dos grandes admiradores da poesia simbolista de Rimbaud, diz, diante disso, que o tipo Rimbaud chegará a superar tipos clássicos de comportamento; como o introspectivo e inquieto jovem estampado pelo personagem Hamlet, de Shakespeare. 



 "Acho que existem muitos Rimbauds neste mundo e que seu número aumentará com o tempo. Acho que o tipo Rimbaud tomará o lugar, nos próximos tempos, do tipo Hamlet e do tipo Fausto. Até que o velho mundo morra de vez, o indivíduo 'anormal' será cada vez mais a norma. O novo homem se encontrará quando a guerra e a coletividade entre o indivíduo cessar. Veremos então o tipo de homem em sua plenitude e esplendor".