
POR UM POR UM MOMENTO TRÁGICO
ter é nosso maior desperdício uma flor no córrego do peito
que ri uma floresta de porcos-espinhos fora de si um jardim
assim estrelado de borboletas um rio na boca e a vista mais
linda uma rima clara e outra claríssima uma casquinha do ovo
no indício um rolo que fez perder a cabeça e cair um vale
rompendo o esgoto do outro uma montanha solta na curva do
rosto uma asa quebrada de belas incertezas uma dúvida a mais
na mesa antes da cerveja
ter a alta velocidade do arremesso um defeito enredado aos
crespos um vício estranho deste tamanho um impecável pecado
novo na despesa um cravo no joanete do pé direito um jeito
por pouco oco diante do louco um olhar que às vezes revela
aos socos um amor que decidiu ficar esperando... um rock
português de além oceano um bundalêlê sambando da janela
um pulo do gato sem ser um gato ter unh! um rei na barriga
de quatro a sua espera
ter ainda assim dia após dia o nosso perdão um ato com
desacato bem na inversão do fato um verso de alparcatas diante
do seu assassinato um gesto em que a palavra na trave parece às
cegas um pedaço se repetindo do mesmo refrão um meio pela
metade da humana canção um resto de segredos e espirais nos
dedos um beijo ferindo a ausência nos lábios uma saudade do
que se perdeu antes do começo um momento em que o flerte
é o que mais pesa na mala
um torpedo que caiu do bolso no meio da sala
um cavalo em branco na folha de velhas tristezas
(imperdoável é ter preço)