quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Eu matei a Mona Lisa porque ela sorria





Deixei na geladeira futuras viagens

Que abrem o dia de amanhã

Frases com cara de divã

Amarradas em barbante preso a ímã

 

Deixei na geladeira tantas paisagens

E tem bem mais de cem rabiscos

De quem corre e deixa indícios

Nos riscos nos crimes nos vícios

                                    

Deixei na geladeira essas palavras

Pra você ler quando a noite chegar

Deixei na geladeira nossa casa

E a porta aberta pra você entrar


Segue p link do livro no site: https://editoramultifoco.com.br/loja/product/eu-matei-a-mona-lisa-porque-ela-sorria/

sábado, 12 de novembro de 2016


dentro ainda dói


teu olhar foi meu bem maior
foi meu bem maior
teu olhar foi  meu bem maior
foi meu bem maior
foi o teu olhar
teu olhar foi meu bem maior

dentro ainda dói todo dia dói
mesmo quando eu não rio





quinta-feira, 3 de novembro de 2016

não



eu carrego todas as ausências
e de tudo que não tenho
nada me faz falta

perdido  foi o seu sorriso
a carta da canastra
no fim do jogo

no fim da noite sozinho
quando algo me diz
"foi melhor assim"

segue o meu amor inédito
onde pelo caminho
eu sou o sol

nas manhãs de domingo
eu sou a neblina
em silêncio

aquela canção era linda
mas eu só sabia
pedaço do refrão

perdão mil vezes perdão
a minha poesia
às vezes diz não



domingo, 23 de outubro de 2016

OS REBELDES TAMBÉM AMAM


OS REBELDES TAMBÉM AMAM







 

A noite decidiu levar

O amor que eu não soube

Era pra ser companhia

Que sorria na pouca luz

 

E era lindo cada novo dia

O braço certo ser seu par

Fiquei contendo meu soluço

Depois de tanto chorar

 

Desafinei e perdi o tom

Foi tudo tão de repente

Foi tão breve perceber a vida

Inteira não é para sempre

Casei sua jaqueta James Jean

Com a minha camiseta Marlon Brando

Perdão por todas às vezes

Em que não disse “te amo”

 



sexta-feira, 29 de julho de 2016

O QUE TORNA OS LARES DE HOJE?



O QUE TORNA OS LARES DE HOJE?



O que você esperava?
Não houvesse barbárie?
Talvez fosse cedo demais
Ou bem mais que tarde

Que horas a bomba explode?
Parece que foi ontem
Os alemães ferozes
Sobre os céus de Londres

A guerra nos tem vivos
Enterramos nossos entes
Nosso filho mais querido
Mas tivemos outros

Estamos todos diferentes
Sabemos certa a morte
E nossos lares são atraentes
Ficamos gigantes de antes

É preciso seguir com flores
O passado conta na memória
Não guardo mágoa nem honra
A vida é mesmo uma tonta

Não tenho medo do que sei
A morte não me assombra
Ronda-nos em pompa
O alfinete diante do rei



quarta-feira, 29 de junho de 2016



O SOCO DO INVISÍVEL nasce junto a um século em choque “Como o corpo da criança refugiada \ E afogada na praia”. O homem vive o nocaute da modernidadeO humano está morto” eO tirano está solto”. E os ombros já não suportam o mundo. Neste novo trabalho, Guerá Fernandes apresenta um livro de motivos: “Porque o patrão fechou as portas \ Porque o cavalo veio sem dentes \ Porque a árvore não deu seu fruto \ Porque a viúva não está de luto \ Porque a grávida pariu de susto”. São olhos impactados em êxodo “O sonho não falava ossos \ Era um ossuário \ Como livro de mistérios”. Assim o embate poético vai ao encontro das coisas invisíveis, sem fugir do confronto com as coisas que não se quer ver. “E ainda assim o seu corpo \ Velado de amor e morto \ Eterno marinheiro sem porto \ E antes mesmo de existido \ O silêncio de sentida lágrima \ Deve ter havido o drama”.




Pode cantar talismã
Pode meu divã me saber todo
Pode ler minha língua
Saber meus detalhes traduzi-los

Meu invisível silêncio
Meu invisível depois ainda
Meu invisível outro
Ser de ti foi o meu ter existido

Posso morrer amanhã
Posso morrer em pleno domingo
Posso morrer dormindo
Sem um último suspiro que olhasse

Ter sido teu o meu mundo
Ter sido tão breve ou um segundo
Ter sido um lado num beijo teu
Já valeu teu lábio molhado no meu











Como um lutador
Voltando do nocaute
Sem saber de onde
Veio o soco

Como um lutador
Naquele segundo
Diante do mundo
Levanta-se enfim

É preciso beber
Uma dose de gim
Respirar fundo
E subir no palco

Como uma cantora
No seu camarim
Desesperada
Morrendo de susto

Como uma cantora
De voz tão rara
Que sofre por cantar
Tão belo assim







Deve ter havido uma noite
Dentro da noite escura
Sem chuva e sem raio 
Primeiro deve ter havido
Um sonho antes da noite
Um sonho antes do sono
E ainda assim o seu corpo
Velado de amor e morto
Eterno marinheiro sem porto
E antes mesmo de existido
O silêncio de sentida lágrima
Deve ter havido o drama








segunda-feira, 20 de junho de 2016

O SOCO DO INVISÍVEL

O SOCO DO INVISÍVEL nasce junto com um século em choque “Como o corpo da criança refugiada \ E afogada na praia”. O homem vive o nocaute da modernidade “O humano está morto” e “O tirano está solto”. E os ombros já suportam o mundo. Neste novo trabalho, Guerá Fernandes apresenta um livro de motivos: “Porque o patrão fechou as portas \ Porque o cavalo veio sem dentes \ Porque a árvore não deu seu fruto \ Porque a viúva não está de luto \ Porque a grávida pariu de susto”. São olhos impactados em êxodo “O sonho não falava ossos \ Era um ossuário \ Como livro de mistérios”. Assim o embate poético vai ao encontro das coisas invisíveis, sem fugir do confronto com as coisas que não se quer ver. “E ainda assim o seu corpo \ Velado de amor e morto \ Eterno marinheiro sem porto \ E antes mesmo de existido \ O silêncio de sentida lágrima \ Deve ter havido o drama”.