terça-feira, 3 de janeiro de 2012

BAGDÁ CAFÉ


BAGDÁ CAFÉ
 

 ‘Eu estou chamando por você’
grita a canção dentro do filme.
Areia deserto solidão:
- Vem ficar mais perto, meu lume!
E me deixa dizer que espero,
me deixa morrer de ciúme
se desperto o amor se for
sem eu supor quieto o crime.
Sei desses dias - sorriso e queda -
na corda bamba, passo íngreme.
Saindo incerto no meio da cena...
Ainda chamando por você
na mesma chama, meu vislumbre!

(O tempo se incumbe na arena)

 CHUVA DE VENTO
 
Chuva de vento
Chove de dentro
Do coração

Chuva de vento
Todo sentimento
Vem sem direção

Chuva de vento
Leva no tempo
Nossa canção

Chuva de vento
Todo momento
É revelação

VAZANTE DE GUIZOS
 
Eu iludido de luzes
E atarantado de sombras
Eu príncipe destronado
Vaguei entre fumaças e ondas

Eu solto fartei vazios
No branco vasos sem cores
Eu revelando aqui e ali
Despi um lodo de odores

Eu então apodreci de rios
Meus olhos sem correntezas
Eu sim! Vazante de guizos
De desertas cordilheiras

Eu fui esperar das palavras....
(Ria e assim em sono jazia
eu nem sabia de sua flores
no meu córrego de horrores)

  ALFINETE DE REI

 

?Quem quer viver para sempre
quem quer ser só aparente
se pra morrer essa gente
nascer sereia girafa serpente?

 ?Quem quer ser vil consciente
politicamente ser subserviente
se ninguém veio pra semente
alfinete de rei espeta o regente?

 ‘O homem não estava de todo ciente’
autoridade selou inconveniente:
- A cabeça se corta pela frente!

(pela raiz só mais um inocente)
Ser é mais ou menos diferente
se você sabe bem o que sente.
 

CÓRREGO DOS ARREPENDIDOS
 

Minha poesia nos afasta
Sim! De tanto silêncio seu
Chego a ouvir dentro de mim
Filetes de água escorrendo
Como se eu tivesse uma boiada
Em estranha estourada

Eu sinto a morte e seu hálito
Não sem alguma morbidez
Porque de alguma forma sobrevivemos
Dia após dia sabendo o próximo
Depois de se viver o primeiro
Pode ser o derradeiro

E não foi a enchente fazendo um rio
Do curral até o córrego
Os bois subiram o pasto
Uns sem olhos terríveis
Silenciosos do toque de um berrante
Bem no último instante

E por pouco não foram tomados
Não fosse meu pai e minha mãe
Selvagens gritando entre os latidos
E os desentrevados relâmpagos!
Porque o passado vem agora
Com seus mil estômagos?

Ainda que a chuva venha forte
E a velha ponte suspensa caia
Nos olhos de quem não somos mais
De quem nem fomos, mas disfarçamos
Então o que dói dentro da gente
Se as águas passam de repente

E nós reencontramos nossos pais
Agora como os velhos filhos
Nem é o seu silêncio na enchente
Pois nasce sempre um sol estribilhos
Com seus deuses vencidos
No meu córrego dos arrependidos



3 comentários:

arte e ciencia disse...

destaco-..."pois nasce sempre um sol estrebilhos
com seus deuses vencidos
no meu córego dos arrependidos...'
toda tua escrita seca encarrilhada, parada não dando nem dando nada...faz que queixa mas se conforma, faz que odeia, e repele mas ama.sem conjunções.perdidamente.finge como pesta que não sente.. quero ler mais...fatima

arte e ciencia disse...

DESCULPE-ME VOU REPOSTAR-:-..."faz que queixa mas se conforma, faz que odeia e repele mas ama. semconjunções.perdidamente.finge como poeta que não sente...' AGORA FICOU UM POUCO MELHOR NÉ?

arte e ciencia disse...

DESCULPE-ME VOU REPOSTAR-:-..."faz que queixa mas se conforma, faz que odeia e repele mas ama. semconjunções.perdidamente.finge como poeta que não sente...' AGORA FICOU UM POUCO MELHOR NÉ?